Cada jardim tem a sua terra, e conhecê-la ajuda a escolher as plantas certas e a regar na altura certa. Não é preciso nenhum aparelho especial. Bastam as mãos, um copo de vidro e um pouco de paciência. Uma boa primeira pergunta é como se comporta a terra quando está húmida. Cada resposta dá uma pista sobre o tipo de solo que existe debaixo dos pés.
Apanhe um punhado de terra ligeiramente húmida e aperte-o na mão. Se se desfaz logo e parece áspera, como areia, é uma terra arenosa, que aquece depressa mas também seca depressa. Se forma uma bola compacta e lisa, que fica com a marca dos dedos, é uma terra argilosa, que retém a água e o alimento, mas é pesada e demora a aquecer na primavera. Entre os dois extremos está a terra franca, que forma uma bola mas se desfaz com um leve toque, e é a mais fácil de trabalhar.
O teste do frasco
Para uma ideia mais clara, encha até meio um frasco de vidro com terra do jardim, acrescente água até quase ao topo e agite bem. Deixe repousar até a água ficar mais límpida. As partículas mais pesadas, de areia, assentam primeiro, seguidas das mais finas, e a argila forma por cima uma camada delicada que demora a assentar. A proporção entre camadas revela a mistura.
Observe também o jardim depois de chover. Se a água fica muito tempo à superfície, a terra tem bastante argila ou está compactada. Se desaparece de imediato e o solo seca em poucas horas, é mais arenosa. Repare ainda nas plantas que nascem sozinhas. Algumas gostam de solo húmido e pesado, outras de solo seco e leve, e dizem muito sobre o que há por baixo.
Sabendo isto, é mais fácil decidir o que fazer. Uma terra arenosa agradece composto e cobertura, que guardam a humidade. Uma terra argilosa agradece matéria orgânica e um pouco de areia grossa, para ficar mais solta. Em qualquer dos casos, o melhor é ir melhorando a terra aos poucos, ano após ano, sem pressas e sem a revolver demasiado.